Segundo Alice Bailey e a Teosofia, a meditação é considerada a “ciência das ciências” por ser um processo fundamental para compreender e manipular as energias espirituais que subjazem a todos os fenômenos físicos e mentais. Ela é vista como o método pelo qual o “discípulo” espiritual alcança uma consciência superior e direciona as energias espirituais superiores para o resto da humanidade, tornando-se uma “ciência” no sentido de uma prática sistemática e disciplinada para atingir um objetivo espiritual profundo.
O termo “meditar” significa entrar em contemplação ou reflexão, abrangendo formas modernas que vão além do método místico tradicional, que busca apenas o êxtase da união com o divino. A meditação transcende também práticas que visam somente a “paz da mente”, frequentemente obtida por uma separação das funções mentais, o que resulta mais em paralisia do que em tranquilidade verdadeira. A essência da meditação está na atividade mental consistente que envolve registro, interpretação e aplicação, requerendo o contato com uma fonte de inspiração para que os frutos da meditação possam ser utilizados de forma prática e consciente na vida.
A prática meditativa inicia-se portanto, pela atividade da mente, tanto na sua função inferior, de análise e direção, quanto na capacidade de alinhar-se conscientemente com a mente superior e a alma. Um “pensamento-semente”, iluminado pela luz da alma, gera novos pensamentos e uma iluminação mental que a mente inferior interpreta e aplica. A energia vital que permeia toda manifestação é acessada na meditação para direcionar luz, amor e poder por meio de ideias e planos de ação específicos. Por ser uma canalização da energia através da mente, a meditação revela-se um método científico, confirmando o princípio de que “tudo é energia”.
A meditação é também um serviço planetário que atua na transformação da consciência humana para além dos limites da separação e isolamento. Sua prática consciente convoca potências espirituais superiores, transformando condições pessoais e coletivas, e promovendo a cooperação redentora para a evolução do planeta.
A meditação e a oração são práticas espirituais distintas, embora ambas conduzam à conexão com a realidade espiritual. A oração é caracterizada pelo desejo pessoal, estabelecendo um diálogo ativo com um Deus transcendente, enquanto a meditação é uma disciplina mental rigorosa que reconhece a divindade imanente em tudo e busca a expansão da consciência para servir ao Plano Divino e ao bem coletivo. Na meditação, a mente disciplinada busca harmonizar mente, emoção e corpo para construir uma ponte entre a personalidade e a alma, refletindo uma prática de serviço altruísta.
Essa distinção revela que a espiritualidade não está mais vinculada exclusivamente a instituições religiosas, mas se apresenta como uma jornada individual que integra o material e o espiritual na vida cotidiana. O desenvolvimento espiritual envolve transformação de valores, reconhecimento da divindade em todos os seres e a construção progressiva do Reino dos Céus na Terra. A meditação propicia essa expansão ao promover atenção contínua e a capacidade de escuta interna, enquanto a oração oferece um canal de entrega e comunicação com o divino transcendente.
A espiritualidade é vista atualmente como um caminho pessoal onde cada indivíduo assume a responsabilidade por sua vida espiritual, desenvolvendo-a na integração com suas experiências materiais diárias. Essa visão amplia o campo da espiritualidade para além das doutrinas tradicionais, fundindo ciência e espiritualidade ao reconhecer que a energia permeia tudo, e que a expansão da consciência se traduz em novos valores e atitudes que levam ao desenvolvimento humano e à percepção compassiva e inclusiva da humanidade como um todo.
Em resumo, a oração fala com o divino, expressando intenções, agradecimentos ou pedidos, enquanto a meditação silencia o ego para ouvir essa mesma presença divina internamente. Juntas, essas práticas criam um equilíbrio entre ação e rendição, entre expressão ativa e receptividade silenciosa, promovendo uma transformação profunda da consciência e um alinhamento entre corpo, mente e alma, que sustenta a vida espiritual contemporânea de forma integrada e dinâmica.
A ciência da meditação parte do princípio de que o ser humano é uma entidade espiritual que se manifesta por meio de uma personalidade multifacetada, a qual se estrutura em três veículos interligados: físico/etérico, astral/emocional e mental inferior. Cada um desses corpos representa diferentes tipos de energia e modos de experiência, funcionando como mecanismos específicos de percepção e expressão.
O corpo físico é o veículo denso onde a personalidade se manifesta no mundo material, sustentado pelo corpo etérico, que é a energia vital que mantém e anima o corpo físico. O corpo astral ou emocional está associado aos sentimentos e desejos, sendo responsável pela dimensão emocional da experiência humana. Já o corpo mental inferior refere-se à mente concreta e racional, que processa pensamentos lógicos e está vinculada à consciência individual mais imediata.
A humanidade está em processo contínuo de desenvolvimento desses três veículos, pois é por meio da personalidade que a consciência da alma se expressa e atua no mundo físico, integrando assim a dimensão espiritual à vida cotidiana. Assim sendo, pode-se dizer que o ser humano é uma centelha da divindade que se expressa através desses corpos inferiores, e a inteligência identificada como fragmento da alma se manifesta inicialmente nesses níveis.
O corpo mental é o agente criativo da consciência, responsável por processar informações, organizar o pensamento lógico e sequencial, analisar fatos, discernir e planejar ações. Além disso, é a sede da visualização e da imaginação criativa, desempenhando um papel essencial na tomada de decisões fundamentadas.
Esse corpo mental se divide em dois subplanos principais: o plano mental inferior e o plano mental superior.
Assim, o desenvolvimento da mente envolve aprimorar a capacidade de compreender e interpretar os impulsos elevados que vêm da alma, integrando esses «insights» à vida prática diária. A harmonia entre os planos mental inferior e superior possibilita não apenas a resolução eficiente dos desafios do mundo físico, mas também o avanço espiritual através da conexão com níveis mais elevados de consciência.
O corpo emocional, também conhecido como corpo astral, é o veículo das emoções e desejos, responsável por expressar e perceber uma ampla gama de sentimentos que vão do amor humano às emoções negativas como raiva e ódio. Esse corpo manifesta todos os desejos, medos, ansiedades, paixões e sentimentos de felicidade e esperança, influenciando tanto os processos internos quanto a interação com o meio ambiente.
Sua vibração é dinâmica e mutável, refletindo o estado emocional do indivíduo, e é fundamental compreender e harmonizar esse nível para integrar a personalidade. Quando essa integração ocorre, o indivíduo é capaz de transformar reações impulsivas em ações conscientes, promovendo equilíbrio emocional e maior controle sobre seus sentimentos. Assim, o corpo astral é essencial para a transformação das emoções em forças criativas e construtivas no desenvolvimento pessoal e espiritual.
O corpo físico é o veículo básico através do qual a alma estabelece contato com o plano material, adquirindo experiências essenciais para a auto-realização. Ele se divide em dois subplanos distintos que trabalham em conjunto para manifestar a personalidade no mundo físico. São eles:
O corpo etérico – corresponde à parte energética do corpo físico, englobando os sistemas nervoso, circulatório e os chakras. Ele é responsável pela vitalidade, energia e fisiologia, funcionando como uma matriz energética que interpenetra e condiciona o corpo físico denso. Esse corpo atua como uma ponte entre a personalidade e o universo energético, filtrando, captando e modulando as energias sutis recebidas para promover equilíbrio, saúde e vitalidade integral.
O corpo físico denso – Já o corpo físico denso é o aspecto mais tangível e palpável do corpo, respondendo automaticamente aos impulsos originados nos corpos mental, emocional e etérico. Sua função é executar, por meio das ações corporais, as motivações que emergem das camadas mais sutis da personalidade, permitindo a expressão concreta do ser espiritual no plano material.
A prática da meditação, especialmente quando focada corretamente na cabeça (“o trono entre as sobrancelhas”), visa permitir que o praticante controle sua natureza mais instintiva e guie sua vida diária em direção à vontade divina. Este é um aspecto crucial da ciência da meditação. A meditação praticada de maeira inadequada pode levar a resultados perigosos.
O objetivo das diversas tradições espirituais é a União do ser separado e inteligente com sua natureza divina espiritual. É transcender a sensação e ilusão do «eu» separado e integrar a consciência individual à consciência universal. É passar a reconhecer a unidade fundamental que existe em tudo, pois tudo é energia e, portanto, tudo está interligado. Essa integração leva a uma experiência de consciência unificada, onde a inteligência do indivíduo se harmoniza com a natureza divina e espiritual, resultando em uma visão de mundo mais conectada e significativa.
Dependendo da tradição seguida, a meta para alcançar um estado de consciência mais elevado pode ser obtida por meio de diferentes práticas espirituais tais como a meditação, o estudo de filosofias espirituais e da teologia, da busca por experiências místicas, bem como a prática de virtudes como o serviço, e a prática da meditação.
A meditação aqui apresentada é um dos meios pelo qual podemos alcançar essa União. O método de meditação usado é o Raja Yoga, que possibilita o alcance da União através da mente. Em outras palavras, o objetivo do Raja Yoga é aquietar a mente inferior, para que ela (a mente) possa perceber e ouvir a alma – o Eu verdadeiro (Ego, Alma ou Anjo Solar). O objetivo da meditação é harmonizar e coordenar esses três corpos num sistema unificado, facilitando o fluxo da energia da alma através deles. Assim, a integração consciente dos corpos mental, emocional e físico transforma a personalidade em um canal transparente para a luz e o amor da alma. Sob a orientação da sabedoria da alma (Eu verdadeiro), os conflitos internos são resolvidos e a expressão do ser se torna mais elevada, e ele passa a contribuir diretamente para o bem comum e a evolução da humanidade como um todo através do serviço.
A meditação não é simplesmente uma busca passiva por tranquilidade mental, muitas vezes confundida com paralisia do pensamento, mas sim uma atividade consciente que envolve registrar, interpretar e aplicar entendimentos profundos. O núcleo dessa prática consiste em alinhar a mente inferior, que opera no nível concreto, com a alma, residente na mente abstrata, por meio de um “pensamento-semente” que gera iluminação e novos insights, a serem integrados na vida cotidiana.
Este processo permite o contato consciente com forças superiores de luz, amor e poder, traduzindo essas influências em ações alinhadas ao propósito divino. A alma representa o centro da consciência e do serviço amoroso. Ela promove a expansão da consciência e a integração da personalidade com um propósito maior. A meditação atua como ponte (Antahkarana) entre alma e personalidade, promovendo uma fusão disciplinada sustentada na premissa que “a energia segue o pensamento”.
Ferramentas como a imaginação criativa e a visualização são empregadas para elevar a qualidade da vida e estabelecer comunicação efetiva entre o Eu espiritual e sua manifestação no mundo físico. O alinhamento harmonioso entre mente, coração e corpo cria um canal para o fluxo livre da energia vital da alma, iluminando e inspirando todas as áreas da existência.
A disciplina constante é o fator chave para o desenvolvimento espiritual e manutenção do contato contínuo com a alma. A prática diária da meditação cria um fluxo que permite à alma expressar seu propósito neste plano físico, sem cair em fanatismos ou egocentrismos. A integração harmoniosa dos veículos mental, emocional e físico da personalidade torna-a um canal transparente para a luz e o amor da alma, irradiando esses valores no cotidiano, promovendo unidade interna e colaboração planetária. Essa harmonização é fundamental para alcançar a liberdade espiritual e contribuir para a evolução pessoal e coletiva da humanidade.
A ciência da meditação baseia-se no manejo consciente das energias subjetivas, permitindo ao meditador experiente colaborar na redistribuição dessas forças para onde são mais necessárias, utilizando o poder do pensamento. A energia primordial que sustenta toda a vida no planeta é o irradiante amor de Deus, que flui continuamente, assim como o batimento cardíaco regula o sangue no corpo humano.
No contexto planetário, esse fluxo energético está sintonizado com os ciclos lunares, atingindo seu ápice durante a Lua Cheia, momento em que é possível uma participação mais consciente no fluxo maior do amor planetário, denominado a sêxtupla progressão do Amor Divino. Este fluxo se origina no centro coronário do planeta, conhecido como Shamballa, onde a Vontade de Deus se manifesta e onde se gera a vontade para o bem, transmitida como amor essencial.
A energia então segue para o coração planetário, composto pela Hierarquia Espiritual — um grupo de seres que ultrapassaram o estado humano e alcançaram o estado super-humano das almas. No centro dessa Hierarquia está o Cristo, reconhecido como guia supremo em diversas tradições religiosas. Deste ponto emana o amor divino que alcança o Novo Grupo de Servidores do Mundo, indivíduos dedicados a manifestar luz e amor entre a humanidade, influenciando centros planetários e organizações globais para promover a ordem e o bem coletivo.
É fundamental reconhecer que a meditação envolve riscos que exigem prudência e bom senso. Praticar meditação sem orientação adequada, em estado de esgotamento ou com superestimulação emocional pode causar desorientação, levando o meditador a estados dispersos ou emocionalmente instáveis.
Portanto, as práticas devem ser realizadas com regularidade e equilíbrio, limitando sua duração e garantindo que a energia gerada na meditação seja canalizada em serviço altruísta. O serviço desempenha papel essencial para evitar bloqueios energéticos e constitui a forma mais segura de proteção para quem medita. Assim, o bom senso, o equilíbrio e a dedicação ao serviço são os melhores escudos para o meditador, assegurando que a energia produzida seja canalizada positivamente.
Dessa forma, a meditação deve ser entendida como uma ciência da energia e da consciência, que combina rigor, intenção e cooperação com o Plano Divino. Ela representa uma poderosa ferramenta de autotransformação e contribuição para o progresso espiritual planetário. A prática consciente da meditação aliada ao serviço é fundamental para manifestar o Reino de Deus na vida cotidiana e realizar o propósito maior da humanidade. Por isso, a meditação requer disciplina, persistência e propósito claros para exercer seu potencial transformador na vida individual e coletiva.
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