Meditação

O Caminho da transformação interior e universal

A meditação, segundo Alice Bailey, é muito mais do que uma prática espiritual comum. Ela é a chave para o despertar da verdadeira essência do ser humano e para a transformação profunda da personalidade e da sociedade. Segundo ela, o verdadeiro trabalho do Ego só pode ser realizado quando os três veículos inferiores (físico, emocional e mental) estão alinhados dentro da periferia da consciência. Essa integração se dá justamente pela meditação. É nesse equilíbrio que o ser humano consegue acessar seu Eu Superior, ou Ego espiritual, iniciando um processo digno de mudança pessoal e, por consequência, social.

Nos dias atuais, muitos jovens sentem dentro de si inquietações que podem ser descritas insatisfação com questoes superficiais da vida e desejo por algo mais significativo. A meditação é o caminho para que essa busca adentre os planos superiores da consciência. A prática meditativa é portanto, um convite a descobrir a fonte divina que habita em cada ser humano.

De maneira didática, pode-se destacar quatro efeitos essenciais da meditação:

  • Primeiro, a aproximação e alinhamento com o Ego, que é o centro da verdadeira consciência;
  • Segundo, a colocação da mente num estado de equilíbrio que permite a elevação gradual da vibração interior;
  • Terceiro, a estabilização das energias emocionais e mentais para que o ser humano funcione harmoniosamente;
  • Quarto, a transferência da polarização da personalidade para a polarização espiritual, isto é, para a consciência do Eu Superior.

Importante ressaltar que esse conhecimento é universal e anterior a qualquer sistema religioso. Independente da crença que se pratique, quem se propõe a meditar na linha da sabedoria eterna está acessando uma sabedoria ancestral que transcende diferenças religiosas e culturais. É um processo que aponta para a liberdade espiritual que vai além de dogmas. Um instrumento potente de transformação coletiva, e não apenas um exercício individual. A transformação entretanto, não acontece de imediato, exige treinamento, disciplina e paciência, pois representa uma ascensão do ser que transcende vidas e condicionamentos passados. 

Este é um convite para jovens e buscadores que desejam despertar para a vida plena, onde a força do espírito guia as decisões, emoções e pensamentos, alinhando-os com a luz e o amor universal. Ao elevar sua consciência, o indivíduo colabora para a mudança da consciência planetária, caminhando para uma sociedade mais harmoniosa e consciente. 

Guia de introdução à meditação

De acordo com a sabedoria Eterna e os escritos de Alice Bailey, a meditação é um caminho direcionado para desenvolver a conexão entre o cérebro, a mente e a alma, permitindo que o ser humano atravesse a percepção mental e penetre no mundo da intuição e do conhecimento superior.

O interesse crescente pela meditação revela uma necessidade global profunda. Muitos associam erroneamente a meditação a uma simples forma de orar ou mesmo a uma fuga das dificuldades da vida. Contudo, a meditação correta, conforme apresentada por Bailey, é um método educativo superior que ajuda a desenvolver os poderes latentes da alma e a manifestar a sua realidade interior.

Para os principiantes, Bailey ensina que o primeiro passo é aceitar a existência da alma e começar a coordenar os aspectos inferiores da natureza (mente, emoção e corpo físico) em um todo harmonioso, por meio da prática da concentração. Essa concentração fortalece o controle da mente sobre o cérebro e as emoções, preparando o caminho para a verdadeira meditação, que é a fusão prolongada e regulada da atenção pelo poder da vontade da alma.

É importante entender que a meditação não exige necessariamente um retiro solitário. Mesmo em meio ao caos da vida moderna, podemos encontrar o lugar de silêncio e paz dentro de nós mesmos, um centro no interior da cabeça onde a alma e o corpo se encontram. A verdadeira concentração nasce de uma vida focada e organizada, onde a perseverança e a disciplina são chaves para o sucesso. Bailey destaca que reorganizar a vida para retirar o que é não essencial é um desafio, mas essencial para avançar no caminho da iluminação.

Esse guia deve inspirar os buscadores a entenderem que a meditação é muito mais que uma técnica esotérica: é um modo de vida que capacita a conhecer a verdadeira essência interior, desenvolve a eficiência na vida prática e cria a oportunidade de manifestar a alma no cotidiano de maneira consciente e equilibrada.

Meditação como estilo de vida

A meditação, para Alice Bailey, não é apenas uma técnica isolada ou um complemento passageiro, mas sim um verdadeiro modo de vida que desperta uma energia essencial, capaz de integrar a consciência com a existência plena. Ela destaca que, enquanto em muitas culturas orientais a meditação está enraizada em tradições espirituais antigas, no Ocidente essa prática ainda se encontra em processo de expansão e diversos entendimentos, que vão desde interpretações superficiais até usos comerciais distorcidos.

Diante disso, Bailey orienta que os buscadores espirituais devem desenvolver discernimento para identificar as verdades profundas presentes na Sabedoria Eterna. Segundo sua visão, a meditação ocultista ultrapassa o estágio inicial do egoísmo espiritual natural, onde o progresso é buscado para benefício próprio, e convida a uma transição para um estado focado no serviço coletivo e no cumprimento do Plano Divino.

Esse plano, que visa integrar alma e personalidade numa consciência unificada, coloca o ser humano em sintonia com os propósitos planetários superiores. A prática meditativa, nesse contexto, torna-se um meio para acelerar e consolidar esse processo de alinhamento, conectando o indivíduo não apenas consigo mesmo, mas com a energia vital que permeia o planeta.

Assim, a meditação deixa de ser um ato isolado e passa a ser uma prática consciente diária que equilibra a dimensão espiritual e a vida prática, fomentando uma ação responsável e iluminada no cotidiano. Segundo Bailey, o verdadeiro discípulo, conhecendo os caminhos divinos e também os terrenos, exerce uma cooperação ativa com os propósitos que regem a evolução planetária, transformando a meditação em uma força motriz de transformação interior e social.

 

O processo de meditação

Alice Bailey ensina que o processo meditativo é um mecanismo preciso que envolve a interação harmoniosa entre corpo, mente e alma, com efeito direto sobre o sistema nervoso e cerebral. Segundo ela, “o centro de energia pelo qual a alma age acha-se no cérebro superior. No decorrer da meditação efetiva, a energia da alma inunda o cérebro e atua de forma definida sobre o sistema nervoso.” Este contato não ocorre se a mente não está dominada, pois, se predomina a natureza emocional, os efeitos se manifestam primeiramente nos estados emocionais do ser.

Bailey destaca uma organização sutil no corpo humano durante a meditação: “o corpo pituitário é a sede das faculdades inferiores quando coordenadas no tipo humano superior, reunindo emoções e aspectos mentais concretos, muitas vezes herdados dos hábitos da raça e dos instintos.” Quando a personalidade é elevada, a vibração no corpo pituitário potencializa o campo energético, criando uma ponte entre a personalidade e a alma, marcando um ponto fundamental no avanço meditativo.

Um ponto crucial desse processo está na glândula pineal e no cérebro superior, conforme Bailey: “o ponto de conscientização do homem fica centralizado na região entre o meio da fronte e a glândula pineal, conduzindo a uma síntese da consciência onde os cinco sentidos são temporariamente dominados pelo sexto sentido, a mente.” Nesta etapa, a consciência revela-se voltada para o interior e para o alto, com o plano mental tomando a primazia da atividade humana.

A sintetização dos sentidos pelo sexto sentido cria um campo magnético entre a alma e a personalidade receptiva. Então se estabelece um campo magnético entre o aspecto positivo da alma e a personalidade expectante tornada receptiva pelo processo de focalização da atenção,” culminando no que Bailey chama de “aparecimento da luz na cabeça,” manifestação do homem iluminado.

Este ciclo exige disciplina, perseverança e a focalização da consciência atenta na cabeça, para que o poder da contemplação possa surgir. É possível iniciar e intensificar esse processo mesmo durante as atividades cotidianas.

O caminho é acessível a todos que buscam com seriedade e empenho. Se somos principiantes, ou se temos uma mente desorganizada e instável, começaremos por praticar a concentração, para depois avançar à meditação propriamente dita, mostrando que

Algumas sugestões para os iniciantes

Encontrando tempo

É aconselhável reservar um período em cada dia para este trabalho específico. No princípio, quinze minutos são suficientes. Sejamos honestos conosco mesmo e reconheçamos as coisas como elas são. O pretexto “não tenho tempo”, é absolutamente supérfluo e indica simplesmente falta de interesse. Na verdade pode dizer-se que não está interessado quem não encontrar quinze minutos livres no decurso de mil quatrocentos e quarenta minutos que compõem um dia.

Primeiramente, tratemos de obter o tempo para o trabalho da meditação cada manhã cedo. Há uma razão para isso: quando participamos dos acontecimentos do dia, no toma lá dá cá da vida, a mente fica num estado de vibração intensa; não é este o caso, quando começamos o nosso dia pela meditação. Então há ainda uma relativa tranquilidade e podemos adaptar-nos mais rapidamente aos estados de consciência superiores.

Além disso, começamos o dia com a concentração da atenção sobre coisas espirituais e sobre as questões da alma, viveremos o dia de uma maneira diferente. Quando isto se torna um hábito, descobriremos em breve que mudam as nossas reações aos problemas da vida e que começamos a pensar segundo os pensamentos da nossa alma. Isto se torna o processo da atuação de uma lei, segundo a qual “conforme um homem pensa, assim ele é”.

Encontrando um lugar para a meditação

Em seguida, faremos por encontrar um lugar realmente tranquilo, ao abrigo de qualquer intrusão. Por tranquilo não quero dizer livre do ruído, porque o mundo está cheio de sons, mas livre da aproximação de pessoas ou do chamado de outrem.

Muitas vezes, os aspirantes à meditação falam demasiadamente sobre a oposição que encontram na sua família e entre os seus amigos. Na maioria dos casos, o problema é do próprio aspirante. O que fazemos cada manhã, nos quinze minutos que decidimos dedicar à meditação é uma atividade nossa e não diz respeito a ninguém. Portanto, não há necessidade de falar nisso com a nossa família, nem exigir-lhes o silêncio porque queiramos meditar.

Se nos é impossível encontrar tempo para a meditação antes da família se dispersar para os afazeres do dia ou antes de nos entregarmos às nossas próprias ocupações, procuremos esse tempo mais tarde durante o dia. Há sempre uma maneira de contornar uma dificuldade, se quisermos uma coisa muito firmemente, e um meio que não implique a omissão de qualquer dever ou de alguma obrigação. Como último recurso, é sempre possível levantar-se quinze minutos mais cedo cada manhã.

A prática da meditação

Postura

Tendo encontrado o tempo e o lugar, sentemo-nos confortavelmente e comecemos a meditar. Surgem então as perguntas: como nos devemos sentar? Será melhor com as pernas cruzadas, ou devemos ajoelhar-nos, ou sentarmo-nos ou ficarmos de pé? A posição mais fácil e normal é sempre a melhor.

A posição mantendo as pernas cruzadas foi, e ainda é, muito empregada no Oriente e muitos livros foram escritos sobre posturas. Algumas destas posturas também têm relação com o sistema nervoso e com a estrutura interna dos nervos mais delicados, que os hindus chamam de nadis e que estão subjacentes ao sistema nervoso tal como é reconhecido no Ocidente.

O problema com estas posturas é que conduzem a duas reações bastante indesejáveis: conduzem o homem a concentrar a mente na mecânica do processo e não sobre o seu objetivo e, em segundo lugar, conduzem frequentemente a um sentido “agradável” de superioridade que repousa no fato de tentarmos empreender fazer algo que a maioria não faz e que nos coloca à parte, na qualidade de conhecedores poderosos. Ficamos absorvidos pelo lado forma da meditação e não como o Criador da forma; ocupamo-nos do Não-Eu em vez do Eu.

Escolhamos aquela posição que nos permita esquecer mais facilmente que temos um corpo físico. Para o ocidental é provavelmente a posição sentada; as exigências principais são o estar ereto, com a coluna dorsal formando uma linha reta; sentar-se relaxado para evitar tensão em qualquer parte do corpo; manter o queixo ligeiramente caído, para diminuir qualquer tensão na nuca. A meditação é um ato interior que só pode ser realizado com sucesso se o corpo estiver relaxado, em correto equilíbrio e, portanto, esquecido.

Respiração

Tendo realizado as condições de conforto físico e de relaxamento e estando abstraídos da consciência do corpo, em seguida prestaremos atenção à nossa respiração e vigiaremos para que esteja calma, regular e rítmica.

Gostaria de fazer aqui uma advertência no que diz respeito à prática de exercícios respiratórios, exceto por aqueles que durante anos se entregaram a uma meditação correta e purificaram a sua natureza corporal. Nos ensinamentos antigos do Oriente, o controle respiratório só era permitido depois que os primeiros três “meios de união”, como eram chamados, houvessem sido realizado até certo ponto na vida corrente, sob adequada instrução.

A prática de exercícios respiratórios nada tem a ver com o desenvolvimento espiritual. Tem, isso sim, muito a ver com o desenvolvimento psíquico, e sua prática pode conduzir a grandes dificuldades e perigos. Era unicamente aqui ou ali que um mestre, outrora, escolhia um homem para esta forma de instrução; a ela se juntava um treinamento que já tinha produzido, em certa medida, um contato com a alma, de modo a que esta pudesse guiar as energias evocadas pela respiração, para o progresso destes objetivos e para o serviço mundial.

Por conseguinte, cuidaremos simplesmente para que a nossa respiração seja calma e regular e desviaremos, então, o nosso pensamento, de todo o conjunto do corpo e começaremos o trabalho de concentração.

Visualização e o emprego criativo da imaginação

O passo seguinte na prática da meditação é o uso da imaginação; visualizamos para nós próprios o homem triplo inferior alinhado ou em comunicação direta com a alma. Isto pode ser feito de várias maneiras. Chamamos a isso o trabalho na visualização. Parece que a visualização, a imaginação e a vontade são três poderosos fatores em todos os processos criativos. São elas as causas subjetivas para grande número dos nossos efeitos objetivos.

No começo, a visualização é principalmente uma questão de fé experimental. Sabemos que pelo processo de raciocínio podemos chegar a uma tal compreensão que, dentro e para além de todos os objetivos manifestados, se encontram um Objetivo ou Modelo Ideal, que procura manifestar-se no plano físico. A prática da visualização, o uso da imaginação e o exercício da vontade são atividades com as quais se conta para aceitar a manifestação deste Ideal.

Quando visualizamos, empregamos a concepção mais alta que esse Ideal possa ter, revestido duma substância determinada, em geral mental, na falta de podermos conceber formas ou tipos de substância superiores com os quais revestir as nossas imagens.

Quando construímos uma imagem mental, a substância mental da nossa mente gera uma certa gama de vibrações que atraem para elas uma qualidade de substância mental, onde a mente se encontra imersa. É pela vontade que esta imagem persiste com firmeza e lhe dá vida. Este processo continua, quer sejamos ou não capazes de o ver com o nosso olho mental. Pouco importa, se conseguimos vê-lo ou não, pois o trabalho criativo realiza-se do mesmo modo. Tempo virá, talvez, em que possamos seguir o processo inteiro e executá-lo conscientemente.

Em conexão com este trabalho, no estágio de principiante, algumas pessoas podem apresentar os três corpos (os três aspectos da natureza forma) como que ligados a um corpo de luz radiante, ou visualizar três centros de energia vibratória, estimulados por um outro centro mais elevado e poderoso; podem também conceber a alma como um triângulo de força ao qual se prende o triângulo da natureza inferior – ligados pelo “cordão prateado” mencionado na Bíblia Cristã, o “sutratma” ou fio da alma das Escrituras Orientais, ou a “linha de vida” de outras escolas de pensamento. Outros ainda preferem conservar o pensamento de uma personalidade unificada, ligada à Divindade residente dentro dela, e ocultando-se nela, o “Cristo em nós, a esperança de glória”.

Seja qual for a imagem escolhida isso é relativamente secundário, desde que partamos da ideia básica do Eu à procura do contato e uso do Não-Eu, o seu instrumento nos mundos de expressão humana, e vice-versa, com o pensamento desse Não-Eu sendo incitado a voltar-se para a sua fonte de existência. Quando isto se realiza, podemos continuar com o nosso trabalho de meditação. O corpo físico e a natureza do desejo, por seu turno, descem abaixo do nível de consciência, ficamos centrados na mente e procuramos submetê-la à nossa vontade.

Concentração

É precisamente aqui que nos confrontamos com o nosso problema. A mente recusa moldar-se aos pensamentos que escolhemos para pensar e vagabundeia pelo mundo, na sua habitual busca de substância. Penamos no que hoje vamos fazer e não no nosso “pensamento-semente”, recordamo-nos de alguém que temos de conseguir ver, ou de qualquer linha de ação que nos chama a atenção; começamos a pensar num ser a quem amamos e voltamos a mergulhar de imediato no mundo das emoções, sendo necessário recomeçar todo o trabalho.

Assim tornamos a reunir os nossos pensamentos e recomeçamos de novo com muito êxito durante meio minuto, mas, depois, lembramo-nos de um encontro combinado ou de outro negócio que alguém está fazendo para nós e eis-nos de volta ao mundo das reações mentais esquecendo a nossa linha de pensamento escolhida. Mais uma vez reagrupamos nossas ideias dispersas e recomeçamos a faina de subjugar a nossa caprichosa mente. Mas, ao longo do tempo e com a prática, adquiriremos a habilidade de manter a centralização mental com certa efetividade.

Como é possível alcançar esta condição? Usemos o conceito do «círculo-não-se-passa» que é o limite energético que define o campo de atividade e influência de uma força vital central.  Ao seguir essa fórmula ou plano de meditação, que fixa automaticamente a nossa mente dentro do círculo-não-se-passa, estaremos lhe dizendo: “Até aí podes ir, mais além não”. Assim, traçamos deliberadamente e com intenção inteligente os limites da nossa atividade mental, de tal maneira que somos forçados a reconhecer o momento em que vagueamos para além desses limites. Sabemos então que devemos retirar-nos outra vez para dentro do muro de abrigo que elevamos para a nossa proteção.

Forma de meditação

A natureza criativa da "alma" e os centros de força

No seu próprio plano, a alma não conhece separação, e o fator da síntese governa todas as relações da alma. A alma preocupa-se não apenas com a forma que a visão de seu objetivo pode assumir, mas com a qualidade ou o significado que essa visão encobre ou oculta. A alma conhece o Plano; sua forma, contorno, métodos e objetivo são conhecidos.

Por meio do uso da imaginação criativa, a alma cria; constrói formas-pensamento no plano mental e objetiva o desejo no plano astral. Em seguida, procede à externalização de seu pensamento e desejo no plano físico através da força aplicada, ativada criativamente pela imaginação do veículo etérico ou vital. Porém, porque a inteligência da alma é motivada pelo amor, ela pode (dentro da síntese realizada que governa suas atividades) analisar, discriminar e dividir.

A alma também aspira àquilo que é maior que ela mesma, e alcança o mundo das ideias divinas, ocupando assim uma posição intermediária entre o mundo da ideação e o mundo das formas. Esta é sua dificuldade e sua oportunidade. Esta compilação dos livros de Alice Bailey busca aumentar a compreensão da alma imortal, abordando seus muitos aspectos sob sessenta e dois tópicos.

“A principal característica da alma é a consciência. A alma, como vida, está “situada no coração, e como consciência racional espiritual, está situada no ponto entre as sobrancelhas”.

Bailey, Alice A. The Soul And Its Mechanism. p. 109.
(Tradução Livre: Sabedoria Eterna)

“Chacra” é o nome dados pelos hindus a um centro de força. É interessante notar que existem quatro centros acima do diafragma, e três abaixo. A localização dos sete centros de força com seus respectivos nomes em sânscrito, da cabeça até os pés, são descritos da seguinte forma:

Centro Coronariano – sahasrara chacra
Centro entre as sobrancelhas – ajna chacra
Centro Laríngeo – vishuddha chacra
Centro Cardíaco – anahata chacra
Centro do plexo solar – manipura chacra
Centro sacro ou sexual – vadhisthana chacra
Centro da base da coluna vertebral – muladhara chacra

Método e estágios da meditação

Para quem deseja aprofundar a prática meditativa, Alice Bailey apresenta um método claro e progressivo para a meditação, dividindo-o em estágios que guiam o iniciante do conforto físico até a concentração mental profunda.

  1. CONFORTO FÍSICO E CONTROLE
    O primeiro passo é obter conforto e controle do corpo, preparando o terreno para o trabalho interior.

  2. RESPIRAÇÃO REGULAR E RÍTMICA
    Estabelecer uma respiração calma e constante para acalmar corpo e mente.

  3. VISUALIZAÇÃO
    Visualizar o eu inferior (físico, emocional e mental) em contato com a alma, imaginando esse eu como canal da energia da alma que chega ao cérebro por meio da mente. Essa visualização serve para colocar o mecanismo físico a serviço da alma.

  4. CONCENTRAÇÃO INTENCIONAL
    Manter a mente imóvel sobre certas palavras-chave, focando seu significado profundo e evitando a repetição mecânica. Exemplos de afirmações ensinadas: “Mais radiante que o sol, mais puro que a neve, mais sutil que o éter, é o Eu, o Espírito que dentro de mim está. Eu sou o Eu. Esse Eu, Eu sou.”

    Mantenha da mente fixa no significado e na intenção. Concentrar-se nas palavras “Oh Deus, Tu me vês“.

  5. ENCERRAMENTO
    Encerrar a prática com a afirmação: “Existe uma paz que ultrapassa toda a compreensão; ela habita nos corações daqueles que vivem no Eterno. Existe um poder que renova todas as coisas; ele vive e move-se naqueles que conhecem o Eu como uno.”

  6. ATENÇÃO E RECORDAÇÃO
    Alternar continuamente entre lembrar e refocalizar a mente, mantendo uma “atividade mental intensa”, com foco consciente e uni-direcionado no “pensamento-semente“ escolhido. Tudo feiro de maneira consciente, evitando estados automáticos ou hipnóticos induzidos pela simples repetição de palavras.

  7. EXERCÍCIO PARA DIFICULDADE NA CONCENTRAÇÃO
    Sugestão para quem tem dificuldade em manter o foco: “Imaginai que tende de proferir uma conferência sobre as palavras da vossa meditação. Visualizai-vos a formular as notas segundo as quais ireis falar mais tarde.” Este exercício mental aumenta o interesse e a concentração.

  8. ADAPTAÇÃO PESSOAL
    Cada praticante deve ajustar o método à sua própria inclinação mental (artística, científica ou filosófica), sempre mantendo o pensamento central escolhido para a concentração. Assim, “mundos inteiros de pensamento abrem-se, os quais a mente pode percorrer à vontade,” com disciplina e direcionamento.